terça-feira, 14 de maio de 2013

Entrevista


A PRÁTICA DO PLANEJAMENTO PARTICIPATIVO NA ESCOLA


ENTREVISTAMOS COORDENADORAS PEDAGÓGICAS DAS REDES MUNICIPAL, ESTADUAL E PARTICULAR DE ENSINO PARA SABER SOBRE O PROCESSO E A RELEVÂNCIA DO PLANEJAMENTO PARTICIPATIVO EM SUAS ESCOLAS.

A primeira entrevistada é Eva Lúcia, coordenadora pedagógica de uma escola municipal localizada na zona leste da capital paulista, numa região com auto índice de criminalidade, vandalismo e pobreza.


O que você entende por “Planejamento Participativo na Escola”?
EVA É quando todos participam do Planejamento da escola, as equipes que pertencem a escola, a comunidade, os alunos, etc..

“É preciso conhecer a comunidade, investigar as demandas e fazer um documento que condiz com a realidade local.”

Na sua visão, porque ele é importante?
EVA Porque só se faz uma boa escola quando todos participam.

Segundo GEMERASCA e GANDIN (2002), o Planejamento Participativo é estruturado da seguinte forma: Referencial, Diagnostico e Programação. Como se dá a estrutura do Planejamento na sua escola?
EVA É feito primeiramente um diagnóstico da comunidade, das demandas apresentadas pela comunidade, e a partir daí estabelece-se os objetivos e como se fará o trabalho na escola. O Plano Pedagógico da escola denomina-se “Fazer e Aprender, no Vinícius de Moraes”, a estrutura física do documento divide-se em oito partes:
1-    Identificação (Localização e breve histórico);
2-    Organização administrativa;
3-    A infraestrutura (Parte física, recursos humanos/materiais/financeiros);
4-    Diagnóstico da realidade local;
5-    Plano de Ação;
6-    Avaliação Institucional;
7-    Bibliografia.

Até que ponto sua escola desenvolve a prática de democracia e participação?
EVA Temos varios tipos de participação organizada: temos a APM, cada classe tem um aluno representante; temos o grêmio estudantil que discute as várias situações, a levam para três ou quatro alunos que os representam na APM com voz ativa. Temos também reuniões bimestrais com várias entidades que atuam na comunidade. Devido a algumas crises que a escola enfrentou nos últimos tempos como o vandalismo e destruição do patrimonio público, um dos meios para reverter a situação foi uma associação da escola com as instituições sociais da região, por isso periodicamente a equipe gestora da escola reune-se com várias intituições locais como CRAS, Conselho Tutelar, Centro Social Nossa Senhora do Bom Parto e outras instituições locais para discutirmos meios de educar as crianças e a comunidade.

Segundo GEMERASCA e GANDIN (2002) o tempo estimado para a elaboração do Planejamento é de 3 a 6 meses. Na sua escola, quanto tempo em média levou para que o Planejamento atual ficasse pronto?
EVA O Planejamento Político Pedagógico da escola é feito para um período de 10 anos e deve ser revisto anualmente. Em nossa escola além das metas do PP tivemos de traçar outras metas, pois houve necessidade da intervenção do ministério público diante de tanta destruição e indisciplina dos alunos, por isso precisamos criar para o ano de 2012/2013 um plano de ação que amenizasse imediatamente a situação e a sanasse com o tempo, por esse motivo estamos sendo aconselhados e visitados por uma juíza e um promotor público. Todo esse processo que ainda está em andamento já dura mais de quatro meses.

O produto final do Planejamento Participativo da sua escola está disponível para os membros da comunidade atendida pela escola?
EVA Está e a comunidade é sempre alertada a respeito disso nas reuniões de APM, Conselho de Escola, etc, porém ninguém além da equipe gestora teve interesse de lê-lo. Nem mesmo os professores. São poucos os que pedem para ler uma parte específica dele.

De acordo com sua experiência, que conselho você daria para profissionais recém-formados e/ou profissionais que participarão da elaboração de seus primeiros Planejamentos Participativos?
EVA É preciso conhecer a comunidade, investigar as demandas e fazer um documento que condiz com a realidade local.É preciso mudar a postura de membros dos Conselhos que concordem com tudo, é preciso participar ativamente das reuniões e buscar sempre a melhoria da comunidade por meio da educação. Uma escola que realmente esteja voltada para a demanda da comunidade educa muito mais que qualquer outra.



A segunda entrevistada, E.I.S.S., que preferiu que sua identidade não fosse divulgada é coordenadora pedagógica de uma escola estadual da zona leste da capital paulista considerada uma das melhores escolas da região.


O que você entende por “Planejamento Participativo na Escola”?
E.I.S.S. É o Projeto Político Pedagógico que conhecemos, só que feito em conjunto com a comunidade.

Na sua visão, porque ele é importante?
E.I.S.S. Porque é importante envolver a comunidade nos projetos da escola.

Segundo GEMERASCA e GANDIN (2002), o Planejamento Participativo é estruturado da seguinte forma: Referencial, Diagnostico e Programação. Como se dá a estrutura do Planejamento na sua escola?
E.I.S.S. Claro que com adaptações e muitos subtítulos, mas a estrutura é basicamente a mesma.

“Conhecer a comunidade local é obrigatório. Outra coisa importante é conscientizá-los sobre (...) a relevância que eles têm na Participação da elaboração do Planejamento, pois muitas pessoas ainda pensam que participar é simplesmente estar ciente (...).”

Até que ponto sua escola desenvolve a prática de democracia e participação?
E.I.S.S. A escola procura envolver a comunidade nos projetos, eventos, tomadas de decisões etc.. A comunidade é convidada a participar de tudo o que é possível na escola e nós procuramos divulgar os eventos e envolvê-los inclusive nos preparativos e organização para que todos estejam tão engajados quanto possível.

Segundo GEMERASCA e GANDIN (2002) o tempo estimado para a elaboração do Planejamento é de 3 a 6 meses. Na sua escola, quanto tempo em média levou para que o Planejamento atual ficasse pronto?
E.I.S.S. Uns cinco meses, em média.

O produto final do Planejamento Participativo da sua escola está disponível para os membros da comunidade atendida pela escola?
E.I.S.S. Sim, mas ninguém, além de funcionários da escola, nunca teve interesse em acessá-lo.

De acordo com sua experiência, que conselho você daria para profissionais recém-formados e/ou profissionais que participarão da elaboração de seus primeiros Planejamentos Participativos?
E.I.S.S. Pesquisar várias fontes sobre elaboração de Planejamento e procurar conhecer o Planejamento de outras escolas são ótimos pontos de partida para a elaboração de um bom Planejamento. Conhecer a comunidade local é obrigatório. Outra coisa importante é consciêntizá-los sobre a importância do Planejamento como alicerce dos projetos da escola e sobre a relevância que eles têm na Participação da elaborção do Planejamento, pois muitas pessoas ainda pensam que participar é simplesmente estar ciente ou presente.



A terceira entrevistada é E.M.T., coordenadora pedagógica de uma escola particular localizada na zona leste da cidade de Santo André, no ABC Paulista. Ela também preferiu não se identificar sob a justificativa de que a escola é muito conhecida na região do ABC e possui uma política muito restritiva em relação à divulgação da posição e das atitudes institucionais.


O que você entende por “Planejamento Participativo na Escola”?
E.M.T. É um Planejamento no qual pais, professores, gestores, alunos e pessoal de serviços gerais andam lado a lado em busca de um objetivo em comum, que é uma escola de qualidade.

“[O Planejamento Participativo] é um suporte para o encaminhamento das mudanças que se fazem necessárias; ajuda a concretizar aquilo que se almeja e possibilita interferir na realidade da escola.”

Na sua visão, porque ele é importante?
E.M.T. É um suporte para o encaminhamento das mudanças que se fazem necessário; ajuda a concretizar aquilo que se almeja e possibilita interferir na realidade da escola. E com a participação de todos, claro!

Segundo GEMERASCA e GANDIN (2002), o Planejamento Participativo é estruturado da seguinte forma: Referencial, Diagnostico e Programação. Como se dá a estrutura do Planejamento na sua escola?
E.M.T. Na nossa escola foi feito primeiramente o diagnostico da comunidade, ou seja, dos familiares dos alunos e funcionários. Esse é o princípio que norteia o nosso Planejamento Participativo. O Planejamento Participativo da nossa escola é composto por vários itens, mas eu citarei os que considero principais:
  • Identificação da Escola
  • Organização da Instituição
  • Diagnóstico da Instituição
  • Caracterização dos Alunos

Até que ponto sua escola desenvolve a prática de democracia e participação?
E.M.T. Procuramos promover diversos tipos de participação. Temos encontros mensais com os pais dos alunos, projetos que os próprios pais realizam na escola em parcerias com seus filhos e com seus colegas e pais, esse projeto é denominado Encontro Familiar.

Segundo GEMERASCA e GANDIN (2002) o tempo estimado para a elaboração do Planejamento é de 3 a 6 meses. Na sua escola, quanto tempo em média levou para que o Planejamento atual ficasse pronto?
E.M.T. Levou um ano para ficar pronto, pois na época que a escola foi fundada, em meados de 1954, o Projeto Político Pedagógico não era valorizado como é hoje em dia. E a participação da comunidade em sua composição não era nem mesmo cogitada.

O produto final do Planejamento Participativo da sua escola está disponível para os membros da comunidade atendida pela escola?
E.M.T. Então, a escola dispõe o documento, mas quem quiser acessá-lo deve avisar a escola com antecedência e preencher um requerimento explicando o motivo da solicitação, pois é um documento muito importante.

De acordo com sua experiência, que conselho você daria para profissionais recém-formados e/ou profissionais que participarão da elaboração de seus primeiros Planejamentos Participativos?
E.M.T. O conselho que eu dou é primeiramente que leiam muito a respeito, pesquisem os documentos disponibilizados em outras escolas, se possível e estejam cientes de que elaborar um Planejamento Participativo não é tarefa fácil, é um trabalho árduo e precisa ser feito com todo cuidado minuciosidade.

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