ENTREVISTAMOS COORDENADORAS PEDAGÓGICAS DAS REDES MUNICIPAL, ESTADUAL E
PARTICULAR DE ENSINO PARA SABER SOBRE O PROCESSO E A RELEVÂNCIA DO PLANEJAMENTO PARTICIPATIVO EM SUAS
ESCOLAS.
A primeira entrevistada é Eva Lúcia, coordenadora pedagógica de uma escola
municipal localizada na zona leste da capital paulista, numa região com auto
índice de criminalidade, vandalismo e pobreza.
O que você entende por “Planejamento Participativo na
Escola”?
EVA É quando todos participam do Planejamento da escola, as
equipes que pertencem a escola, a comunidade, os alunos, etc..
“É preciso conhecer a
comunidade, investigar as demandas e fazer um documento que condiz com a
realidade local.”
Na sua visão, porque ele é importante?
EVA Porque só se faz uma boa escola quando todos participam.
Segundo GEMERASCA e GANDIN (2002), o Planejamento
Participativo é estruturado da seguinte forma: Referencial, Diagnostico e
Programação. Como se dá a estrutura do Planejamento na sua escola?
EVA É feito primeiramente um diagnóstico da comunidade, das
demandas apresentadas pela comunidade, e a partir daí estabelece-se os
objetivos e como se fará o trabalho na escola. O Plano Pedagógico da escola
denomina-se “Fazer e Aprender, no Vinícius de Moraes”, a estrutura física do
documento divide-se em oito partes:
1- Identificação (Localização e breve histórico);
2- Organização administrativa;
3- A infraestrutura (Parte física, recursos humanos/materiais/financeiros);
4- Diagnóstico da realidade local;
5- Plano de Ação;
6- Avaliação Institucional;
7- Bibliografia.
Até que ponto sua escola desenvolve a prática de
democracia e participação?
EVA Temos varios tipos de participação organizada: temos a
APM, cada classe tem um aluno representante; temos o grêmio estudantil que
discute as várias situações, a levam para três ou quatro alunos que os
representam na APM com voz ativa. Temos também reuniões bimestrais com várias
entidades que atuam na comunidade. Devido a algumas crises que a escola
enfrentou nos últimos tempos como o vandalismo e destruição do patrimonio público,
um dos meios para reverter a situação foi uma associação da escola com as
instituições sociais da região, por isso periodicamente a equipe gestora da
escola reune-se com várias intituições locais como CRAS, Conselho Tutelar,
Centro Social Nossa Senhora do Bom Parto e outras instituições locais para
discutirmos meios de educar as crianças e a comunidade.
Segundo GEMERASCA e GANDIN (2002) o tempo estimado para a
elaboração do Planejamento é de 3 a 6 meses. Na sua escola, quanto tempo em
média levou para que o Planejamento atual ficasse pronto?
EVA O Planejamento Político Pedagógico da escola é feito
para um período de 10 anos e deve ser revisto anualmente. Em nossa escola além
das metas do PP tivemos de traçar outras metas, pois houve necessidade da
intervenção do ministério público diante de tanta destruição e indisciplina dos
alunos, por isso precisamos criar para o ano de 2012/2013 um plano de ação que
amenizasse imediatamente a situação e a sanasse com o tempo, por esse motivo
estamos sendo aconselhados e visitados por uma juíza e um promotor público.
Todo esse processo que ainda está em andamento já dura mais de quatro meses.
O produto final do Planejamento Participativo da sua
escola está disponível para os membros da comunidade atendida pela escola?
EVA Está e a comunidade é sempre alertada a respeito disso
nas reuniões de APM, Conselho de Escola, etc, porém ninguém além da equipe
gestora teve interesse de lê-lo. Nem mesmo os professores. São poucos os que
pedem para ler uma parte específica dele.
De acordo com sua experiência, que conselho você daria
para profissionais recém-formados e/ou profissionais que participarão da elaboração
de seus primeiros Planejamentos Participativos?
EVA É preciso conhecer a comunidade, investigar as demandas
e fazer um documento que condiz com a realidade local.É preciso mudar a postura
de membros dos Conselhos que concordem com tudo, é preciso participar
ativamente das reuniões e buscar sempre a melhoria da comunidade por meio da
educação. Uma escola que realmente esteja voltada para a demanda da comunidade
educa muito mais que qualquer outra.
A segunda entrevistada, E.I.S.S., que preferiu que sua identidade não fosse
divulgada é coordenadora pedagógica de uma escola estadual da zona leste da
capital paulista considerada uma das melhores escolas da região.
O que você entende por “Planejamento Participativo na
Escola”?
E.I.S.S. É o Projeto Político Pedagógico que conhecemos, só que
feito em conjunto com a comunidade.
Na sua visão, porque ele é importante?
E.I.S.S. Porque é importante envolver a comunidade nos projetos da
escola.
Segundo GEMERASCA e GANDIN (2002), o Planejamento
Participativo é estruturado da seguinte forma: Referencial, Diagnostico e
Programação. Como se dá a estrutura do Planejamento na sua escola?
E.I.S.S. Claro que com adaptações e muitos subtítulos, mas a estrutura
é basicamente a mesma.
“Conhecer a comunidade local é obrigatório. Outra coisa
importante é conscientizá-los sobre (...) a relevância que eles têm na
Participação da elaboração do Planejamento, pois muitas pessoas ainda pensam que
participar é simplesmente estar ciente (...).”
Até que ponto sua escola desenvolve a prática de
democracia e participação?
E.I.S.S. A escola procura envolver a comunidade nos projetos,
eventos, tomadas de decisões etc.. A comunidade é convidada a participar de
tudo o que é possível na escola e nós procuramos divulgar os eventos e
envolvê-los inclusive nos preparativos e organização para que todos estejam tão
engajados quanto possível.
Segundo GEMERASCA e GANDIN (2002) o tempo estimado para a
elaboração do Planejamento é de 3 a 6 meses. Na sua escola, quanto tempo em
média levou para que o Planejamento atual ficasse pronto?
E.I.S.S. Uns cinco meses, em média.
O produto final do Planejamento Participativo da sua
escola está disponível para os membros da comunidade atendida pela escola?
E.I.S.S. Sim, mas ninguém, além de funcionários da escola, nunca
teve interesse em acessá-lo.
De acordo com sua experiência, que conselho você daria para profissionais
recém-formados e/ou profissionais que participarão da elaboração de seus
primeiros Planejamentos Participativos?
E.I.S.S. Pesquisar várias fontes sobre elaboração de Planejamento
e procurar conhecer o Planejamento de outras escolas são ótimos pontos de
partida para a elaboração de um bom Planejamento. Conhecer a comunidade local é
obrigatório. Outra coisa importante é consciêntizá-los sobre a importância do
Planejamento como alicerce dos projetos da escola e sobre a relevância que eles
têm na Participação da elaborção do Planejamento, pois muitas pessoas ainda
pensam que participar é simplesmente estar ciente ou presente.
A terceira entrevistada é E.M.T., coordenadora pedagógica de uma escola
particular localizada na zona leste da cidade de Santo André, no ABC Paulista.
Ela também preferiu não se identificar sob a justificativa de que a escola é
muito conhecida na região do ABC e possui uma política muito restritiva em
relação à divulgação da posição e das atitudes institucionais.
O que você entende por “Planejamento Participativo na Escola”?
E.M.T. É um
Planejamento no qual pais, professores, gestores, alunos e pessoal de serviços
gerais andam lado a lado em busca de um objetivo em comum, que é uma escola de
qualidade.
“[O Planejamento
Participativo] é um suporte para o encaminhamento das mudanças que se fazem
necessárias; ajuda a concretizar aquilo que se almeja e possibilita interferir
na realidade da escola.”
Na sua visão, porque ele é importante?
E.M.T. É um
suporte para o encaminhamento das mudanças que se fazem necessário; ajuda a
concretizar aquilo que se almeja e possibilita interferir na realidade da
escola. E com a participação de todos, claro!
Segundo GEMERASCA e GANDIN (2002), o Planejamento Participativo é estruturado
da seguinte forma: Referencial, Diagnostico e Programação. Como se dá a
estrutura do Planejamento na sua escola?
E.M.T. Na
nossa escola foi feito primeiramente o diagnostico da comunidade, ou seja, dos
familiares dos alunos e funcionários. Esse é o princípio que norteia o nosso
Planejamento Participativo. O Planejamento Participativo da nossa escola é
composto por vários itens, mas eu citarei os que considero principais:
- Identificação da Escola
- Organização da Instituição
- Diagnóstico da Instituição
- Caracterização dos Alunos
Até que ponto sua escola desenvolve a prática de democracia e participação?
E.M.T. Procuramos
promover diversos tipos de participação. Temos encontros mensais com os pais
dos alunos, projetos que os próprios pais realizam na escola em parcerias com seus
filhos e com seus colegas e pais, esse projeto é denominado Encontro Familiar.
Segundo GEMERASCA e GANDIN (2002) o tempo estimado para a elaboração do
Planejamento é de 3 a 6 meses. Na sua escola, quanto tempo em média levou para
que o Planejamento atual ficasse pronto?
E.M.T. Levou
um ano para ficar pronto, pois na época que a escola foi fundada, em meados de
1954, o Projeto Político Pedagógico não era valorizado como é hoje em dia. E a
participação da comunidade em sua composição não era nem mesmo cogitada.
O produto final do Planejamento Participativo da sua escola está disponível
para os membros da comunidade atendida pela escola?
E.M.T. Então,
a escola dispõe o documento, mas quem quiser acessá-lo deve avisar a escola com
antecedência e preencher um requerimento explicando o motivo da solicitação, pois
é um documento muito importante.
De acordo com sua experiência, que conselho você daria para profissionais
recém-formados e/ou profissionais que participarão da elaboração de seus
primeiros Planejamentos Participativos?
E.M.T. O
conselho que eu dou é primeiramente que leiam muito a respeito, pesquisem os
documentos disponibilizados em outras escolas, se possível e estejam cientes de
que elaborar um Planejamento Participativo não é tarefa fácil, é um trabalho
árduo e precisa ser feito com todo cuidado minuciosidade.


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