terça-feira, 14 de maio de 2013

Aquele Abraço


A escola (Paulo Freire)
Escola é...
o lugar onde se faz amigos,
não se trata só de prédios, salas, quadros,
programas, horários, conceitos...
Escola é, sobretudo, gente,
gente que trabalha, que estuda,
que se alegra, se conhece, se estima.
O diretor é gente,
O coordenador é gente, o professor é gente,
o aluno é gente,
cada funcionário é gente.
E a escola será cada vez melhor
na medida em que cada um
se comporte como colega, amigo, irmão.
Nada de “ilha cercada de gente por todos os lados”.
Nada de conviver com as pessoas e depois descobrir
que não tem amizade a ninguém,
nada de ser como o tijolo que forma a parede,
indiferente, frio, só.
Importante na escola não é só estudar, não é só trabalhar,
é também criar laços de amizade,
é criar ambiente de camaradagem,
é conviver, é se “amarrar nela”!
Ora, é lógico...
numa escola assim vai ser fácil
estudar, trabalhar, crescer,
fazer amigos, educar-se,
ser feliz.

# Poesia do educador Paulo Freire, disponível no site do Instituto Paulo Freire www.paulofreire.org

Conversa Final


Construindo a prática pedagógica com base no Projeto Político-Pedagógico



    O que faz uma escola ser bem sucedida? Qual é a receita? A resposta esta no planejamento participativo, na reflexão sobre a sua importância.
   O planejamento participativo visa não só democratizar as decisões, mas estabelecer as prioridades para as pessoas envolvidas no processo e constitui-se em um ato de cidadania, na medida em que esse processo possibilita a definição da concepção de educação com o qual a escola deseja trabalhar.
    Daí a importância do Projeto Político-Pedagógico que auxilia na organização da escola e das práticas educativas, sendo um documento que deve ter  cara da escola, ou seja, trazer a realidade da mesma lembrando que e é um dos braços da Gestão Democrática na escola.
   Portanto, o PPP da escola tem a função de apresentar a realidade da escola e propor um percurso de trabalho para aquela realidade específica.
   Apesar de muitas vezes percebermos o Projeto Político-Pedagógico como um documento distante de nossa prática de sala de aula, é impossível desenvolver um bom trabalho sem conhecer e basear-se nele, pelas seguintes razões:
- É o momento de adaptação das políticas curriculares nacionais, estaduais e municipais para a realidade da escola.
- Mostra a situação que se tem no momento e aonde se quer chegar.
- É o momento de ler, estudar, refletir sobre a prática educativa na escola.
- Possibilita a participação da comunidade no pensar e repensar a prática pedagógica.
- É uma construção coletiva.

   Cabe ressaltar então que o planejar em equipe permite pensar mais sobre conteúdos, objetivos e procedimentos; as decisões são mais demoradas, mas o debate é proveitoso.

Vale Ler


Planejamento Participativo na escola
O que é e como se faz.

A edição especial da sua "Plano B" de maio, vem ao auxilio de você Educador! Você que tem dúvidas sobre o que mais se pede em instituições de ensino: Planejamento Participativo.

     Indicamos para você o livro do conceituadíssimo educador Danilo Gandin, em parceria com Maristela Gemerasca: "Planejamento Participativo na Escola - O que é e como se faz".
         O livro traz até você tudo o que precisa saber sobre o planejamento participativo. Através dele, você conseguirá compreender o que é, como é e terá uma base para construí-lo em sua instituição de ensino, reforçando o verdadeiro ideal do planejamento: ser o seu auxilio e não o seu carma. De forma simples, coesa e prática, Gandin e Gemerasca levam até você um verdadeiro "manual do educador”.


Segue uma prévia para dar água na boca...



"Amarre o seu barco a uma estrela", ou seja, amarre o seu "eu", a sua instituição, a sua escola... a um sonho! Mas não deixe de agir em conformidade com este sonho.
A estrela: Representa o sonho. Aquilo que queremos alcançar, aquilo que precisamos transformar. É o ideal a ser perseguido (referencial).
A corda que une a estrela ao barco: É a distância que une o meu "eu", a minha instituição, a minha escola, a minha realidade ao meu sonho. É o caminho que ainda preciso percorrer para chegar perto do meu sonho (diagnóstico).
O barco: É o meu fazer, a minha prática, a minha realidade. São o fazer e o ser concretos que estão sendo executados ou serão propostos para aproximar, cada vez mais, o meu barco da minha estrela (programação).

 Agora é com você! Explore, reformule, se transforme!


Lado Legal


 Lado legal – trecho retirado da LDB
Art. 12 Os estabelecimentos de ensino, respeitadas as normas comuns e as do seu sistema de ensino, terão a incumbência de:
I - elaborar e executar sua proposta pedagógica;
Art. 13 Os docentes incumbir-se-ão de:
I - participar da elaboração da proposta pedagógica do estabelecimento de ensino;
II - elaborar e cumprir plano de trabalho, segundo a proposta pedagógica do estabelecimento de ensino;
Art. 14 Os sistemas de ensino definirão as normas da gestão democrática do ensino público na educação básica, de acordo com as suas peculiaridades e conforme os seguintes princípios:
I - participação dos profissionais da educação na elaboração do projeto pedagógico da escola;
II - participação das comunidades escolar e local em conselhos escolares ou equivalentes.
Art. 15 Os sistemas de ensino assegurarão às unidades escolares públicas de educação básica que os integram progressivos graus de autonomia pedagógica e administrativa e de gestão financeira, observadas as normas gerais de direito financeiro público.

Referência
Disponível em: <www.planalto.gov.br/ccivil_03/Leis/L9394.htm>. Acesso em: 04/maio/2013.

Entrevista


A PRÁTICA DO PLANEJAMENTO PARTICIPATIVO NA ESCOLA


ENTREVISTAMOS COORDENADORAS PEDAGÓGICAS DAS REDES MUNICIPAL, ESTADUAL E PARTICULAR DE ENSINO PARA SABER SOBRE O PROCESSO E A RELEVÂNCIA DO PLANEJAMENTO PARTICIPATIVO EM SUAS ESCOLAS.

A primeira entrevistada é Eva Lúcia, coordenadora pedagógica de uma escola municipal localizada na zona leste da capital paulista, numa região com auto índice de criminalidade, vandalismo e pobreza.


O que você entende por “Planejamento Participativo na Escola”?
EVA É quando todos participam do Planejamento da escola, as equipes que pertencem a escola, a comunidade, os alunos, etc..

“É preciso conhecer a comunidade, investigar as demandas e fazer um documento que condiz com a realidade local.”

Na sua visão, porque ele é importante?
EVA Porque só se faz uma boa escola quando todos participam.

Segundo GEMERASCA e GANDIN (2002), o Planejamento Participativo é estruturado da seguinte forma: Referencial, Diagnostico e Programação. Como se dá a estrutura do Planejamento na sua escola?
EVA É feito primeiramente um diagnóstico da comunidade, das demandas apresentadas pela comunidade, e a partir daí estabelece-se os objetivos e como se fará o trabalho na escola. O Plano Pedagógico da escola denomina-se “Fazer e Aprender, no Vinícius de Moraes”, a estrutura física do documento divide-se em oito partes:
1-    Identificação (Localização e breve histórico);
2-    Organização administrativa;
3-    A infraestrutura (Parte física, recursos humanos/materiais/financeiros);
4-    Diagnóstico da realidade local;
5-    Plano de Ação;
6-    Avaliação Institucional;
7-    Bibliografia.

Até que ponto sua escola desenvolve a prática de democracia e participação?
EVA Temos varios tipos de participação organizada: temos a APM, cada classe tem um aluno representante; temos o grêmio estudantil que discute as várias situações, a levam para três ou quatro alunos que os representam na APM com voz ativa. Temos também reuniões bimestrais com várias entidades que atuam na comunidade. Devido a algumas crises que a escola enfrentou nos últimos tempos como o vandalismo e destruição do patrimonio público, um dos meios para reverter a situação foi uma associação da escola com as instituições sociais da região, por isso periodicamente a equipe gestora da escola reune-se com várias intituições locais como CRAS, Conselho Tutelar, Centro Social Nossa Senhora do Bom Parto e outras instituições locais para discutirmos meios de educar as crianças e a comunidade.

Segundo GEMERASCA e GANDIN (2002) o tempo estimado para a elaboração do Planejamento é de 3 a 6 meses. Na sua escola, quanto tempo em média levou para que o Planejamento atual ficasse pronto?
EVA O Planejamento Político Pedagógico da escola é feito para um período de 10 anos e deve ser revisto anualmente. Em nossa escola além das metas do PP tivemos de traçar outras metas, pois houve necessidade da intervenção do ministério público diante de tanta destruição e indisciplina dos alunos, por isso precisamos criar para o ano de 2012/2013 um plano de ação que amenizasse imediatamente a situação e a sanasse com o tempo, por esse motivo estamos sendo aconselhados e visitados por uma juíza e um promotor público. Todo esse processo que ainda está em andamento já dura mais de quatro meses.

O produto final do Planejamento Participativo da sua escola está disponível para os membros da comunidade atendida pela escola?
EVA Está e a comunidade é sempre alertada a respeito disso nas reuniões de APM, Conselho de Escola, etc, porém ninguém além da equipe gestora teve interesse de lê-lo. Nem mesmo os professores. São poucos os que pedem para ler uma parte específica dele.

De acordo com sua experiência, que conselho você daria para profissionais recém-formados e/ou profissionais que participarão da elaboração de seus primeiros Planejamentos Participativos?
EVA É preciso conhecer a comunidade, investigar as demandas e fazer um documento que condiz com a realidade local.É preciso mudar a postura de membros dos Conselhos que concordem com tudo, é preciso participar ativamente das reuniões e buscar sempre a melhoria da comunidade por meio da educação. Uma escola que realmente esteja voltada para a demanda da comunidade educa muito mais que qualquer outra.



A segunda entrevistada, E.I.S.S., que preferiu que sua identidade não fosse divulgada é coordenadora pedagógica de uma escola estadual da zona leste da capital paulista considerada uma das melhores escolas da região.


O que você entende por “Planejamento Participativo na Escola”?
E.I.S.S. É o Projeto Político Pedagógico que conhecemos, só que feito em conjunto com a comunidade.

Na sua visão, porque ele é importante?
E.I.S.S. Porque é importante envolver a comunidade nos projetos da escola.

Segundo GEMERASCA e GANDIN (2002), o Planejamento Participativo é estruturado da seguinte forma: Referencial, Diagnostico e Programação. Como se dá a estrutura do Planejamento na sua escola?
E.I.S.S. Claro que com adaptações e muitos subtítulos, mas a estrutura é basicamente a mesma.

“Conhecer a comunidade local é obrigatório. Outra coisa importante é conscientizá-los sobre (...) a relevância que eles têm na Participação da elaboração do Planejamento, pois muitas pessoas ainda pensam que participar é simplesmente estar ciente (...).”

Até que ponto sua escola desenvolve a prática de democracia e participação?
E.I.S.S. A escola procura envolver a comunidade nos projetos, eventos, tomadas de decisões etc.. A comunidade é convidada a participar de tudo o que é possível na escola e nós procuramos divulgar os eventos e envolvê-los inclusive nos preparativos e organização para que todos estejam tão engajados quanto possível.

Segundo GEMERASCA e GANDIN (2002) o tempo estimado para a elaboração do Planejamento é de 3 a 6 meses. Na sua escola, quanto tempo em média levou para que o Planejamento atual ficasse pronto?
E.I.S.S. Uns cinco meses, em média.

O produto final do Planejamento Participativo da sua escola está disponível para os membros da comunidade atendida pela escola?
E.I.S.S. Sim, mas ninguém, além de funcionários da escola, nunca teve interesse em acessá-lo.

De acordo com sua experiência, que conselho você daria para profissionais recém-formados e/ou profissionais que participarão da elaboração de seus primeiros Planejamentos Participativos?
E.I.S.S. Pesquisar várias fontes sobre elaboração de Planejamento e procurar conhecer o Planejamento de outras escolas são ótimos pontos de partida para a elaboração de um bom Planejamento. Conhecer a comunidade local é obrigatório. Outra coisa importante é consciêntizá-los sobre a importância do Planejamento como alicerce dos projetos da escola e sobre a relevância que eles têm na Participação da elaborção do Planejamento, pois muitas pessoas ainda pensam que participar é simplesmente estar ciente ou presente.



A terceira entrevistada é E.M.T., coordenadora pedagógica de uma escola particular localizada na zona leste da cidade de Santo André, no ABC Paulista. Ela também preferiu não se identificar sob a justificativa de que a escola é muito conhecida na região do ABC e possui uma política muito restritiva em relação à divulgação da posição e das atitudes institucionais.


O que você entende por “Planejamento Participativo na Escola”?
E.M.T. É um Planejamento no qual pais, professores, gestores, alunos e pessoal de serviços gerais andam lado a lado em busca de um objetivo em comum, que é uma escola de qualidade.

“[O Planejamento Participativo] é um suporte para o encaminhamento das mudanças que se fazem necessárias; ajuda a concretizar aquilo que se almeja e possibilita interferir na realidade da escola.”

Na sua visão, porque ele é importante?
E.M.T. É um suporte para o encaminhamento das mudanças que se fazem necessário; ajuda a concretizar aquilo que se almeja e possibilita interferir na realidade da escola. E com a participação de todos, claro!

Segundo GEMERASCA e GANDIN (2002), o Planejamento Participativo é estruturado da seguinte forma: Referencial, Diagnostico e Programação. Como se dá a estrutura do Planejamento na sua escola?
E.M.T. Na nossa escola foi feito primeiramente o diagnostico da comunidade, ou seja, dos familiares dos alunos e funcionários. Esse é o princípio que norteia o nosso Planejamento Participativo. O Planejamento Participativo da nossa escola é composto por vários itens, mas eu citarei os que considero principais:
  • Identificação da Escola
  • Organização da Instituição
  • Diagnóstico da Instituição
  • Caracterização dos Alunos

Até que ponto sua escola desenvolve a prática de democracia e participação?
E.M.T. Procuramos promover diversos tipos de participação. Temos encontros mensais com os pais dos alunos, projetos que os próprios pais realizam na escola em parcerias com seus filhos e com seus colegas e pais, esse projeto é denominado Encontro Familiar.

Segundo GEMERASCA e GANDIN (2002) o tempo estimado para a elaboração do Planejamento é de 3 a 6 meses. Na sua escola, quanto tempo em média levou para que o Planejamento atual ficasse pronto?
E.M.T. Levou um ano para ficar pronto, pois na época que a escola foi fundada, em meados de 1954, o Projeto Político Pedagógico não era valorizado como é hoje em dia. E a participação da comunidade em sua composição não era nem mesmo cogitada.

O produto final do Planejamento Participativo da sua escola está disponível para os membros da comunidade atendida pela escola?
E.M.T. Então, a escola dispõe o documento, mas quem quiser acessá-lo deve avisar a escola com antecedência e preencher um requerimento explicando o motivo da solicitação, pois é um documento muito importante.

De acordo com sua experiência, que conselho você daria para profissionais recém-formados e/ou profissionais que participarão da elaboração de seus primeiros Planejamentos Participativos?
E.M.T. O conselho que eu dou é primeiramente que leiam muito a respeito, pesquisem os documentos disponibilizados em outras escolas, se possível e estejam cientes de que elaborar um Planejamento Participativo não é tarefa fácil, é um trabalho árduo e precisa ser feito com todo cuidado minuciosidade.

O papel do diretor


Como um maestro, o líder da equipe concilia o trabalho pedagógico com o administrativo



             É possível fazer uma comparação entre o trabalho de um maestro e o de um diretor de escola. Ambos são líderes e regem uma equipe. O primeiro segue a partitura e é responsável pelo andamento e pela dinâmica da música. O segundo administra leis e normas e cuida da dinâmica escolar. Os dois servem ao público, mas a platéia do "regente-diretor" não se restringe a bater palmas ou vaiar. Ela é formada por uma comunidade que participa da cena educacional.
Mais do que um administrador que cuida de orçamentos, calendários, vagas e materiais, quem dirige a escola precisa ser um educador. E isso significa estar ligado ao cotidiano da sala de aula, conhecer alunos, professores e pais. Só assim ele se torna um líder, e não apenas alguém com autoridade burocrática. Para Antônio Carlos Gomes da Costa, pedagogo e consultor, há três perfis básicos nessa função: 


O administrador escolar - mantém a escola dentro das normas do sistema educacional, segue portarias e instruções, é exigente no cumprimento de prazos; 



O pedagógico - valoriza a qualidade do ensino, o projeto pedagógico, a supervisão e a orientação pedagógica e cria oportunidades de capacitação docente; 



O sociocomunitário - preocupa-se com a gestão democrática e com a participação da comunidade, está sempre rodeado de pais, alunos e lideranças do bairro, abre a escola nos finais de semana e permite trânsito livre em sua sala. 



            Como é muito difícil ter todas essas características, o importante é saber equilibrá-las, com colaboradores que tenham talentos complementares. Delegar e liderar devem ser as palavras de ordem. E mais: o bom diretor indica caminhos, é sensível às necessidades da comunidade, desenvolve talentos, facilita o trabalho da equipe e, é claro, resolve problemas.


O que ele faz:

Incentiva iniciativas inovadoras.

Elabora planos diários e de longo prazo visando à melhoria da escola.

Gerencia os recursos financeiros e humanos.

Assegura a participação da comunidade na escola.

Identifica as necessidades da instituição e busca soluções.

Referência:
Disponível em : 
Acesso em 04/maio/2013.

Editorial

      A temática central é o Planejamento Participativo na Escola. Um assunto bem interessante, não é mesmo? Aproveite a oportunidade e consulte os materiais sugeridos. Eles podem servir de inspiração para a sua prática pedagógica. Lembre-se de que você também deve exercitar seu papel de protagonista na gestão da sua aprendizagem. Boa leitura. Equipe Plano B.